Quando comecei a ler Nada me faltará, de Lourenço Mutarelli, veio à minha mente um pensamento: que livro genial! Todo narrado em diálogos e com um suspense que nos prende, a obra traz a história de um homem chamado Paulo, que desaparece na companhia da esposa e da filha. Depois reaparece sem se lembrar de nada (enquanto um ano se foi para as pessoas que ficaram, o tempo não passou para ele). As outras duas não voltam com Paulo, que não sabe responder sobre o paradeiro delas; não sabe dizer por onde andou, como se nunca tivesse ido a lugar algum.
Nada. Para mim, não aconteceu nada.
Sua mãe disse que você não se lembra.
Não me lembro de nada. É como se…
O quê?
Como se nada tivesse acontecido.
Como é esperado, todos ao redor começam, mesmo sem querer, a desconfiar do homem (a mãe, os amigos mais íntimos, a polícia e nós, leitores), ainda mais porque ele não demonstra interesse em desvendar o mistério ou preocupação com a esposa e a filha desaparecidas. Aliás, sequer suporta ser indagado sobre o tema.
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